terça-feira, 4 de março de 2008

A Verdadeira Religare

“E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse [do verbo grego “katallasso”]* consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus.”
(Colossenses 1.20)

por Ednaldo Brasileiro

A palavra religião provém do latim “religare” que significa: religar, ligar novamente, trazer de volta. O dicionário de língua portuguesa Michaelis por sua vez traduz religião por “2. Sentimento consciente de dependência ou submissão que liga a criatura humana ao Criador”.
No contexto bíblico a palavra “religião” foi utilizada pelos apóstolos (inspirados pelo Espírito de Deus), escritores das Sagradas Escrituras, no Novo Testamento, para expressar o conceito da redenção do homem através da cruz e do sangue de Jesus Cristo, em sua obra Salvífica (veja: Romanos 3.23-25).
Partindo desta premissa Jesus então é a única religião “religare” verdadeira. Jesus é o único que pode religar o homem de volta à sua origem de Criação Paterno-Divina.
Religião e Jesus coexistem e se misturam em suas essências e significados.
Não podemos pensar, falar e praticar religião sem concluir em Jesus.

“Eu não prego religião!”

Observe esta frase ou declaração, geralmente pronunciada por alguns que se dizem verdadeiros cristãos.
Exclamações deste tipo. Ou ainda, “religião é como futebol e política, não se discute”, são as saídas verbais covardes de alguns cristãos da “saia-justa” lhes colocada, quando inquiridos sobre sua fé na religião de Cristo. São declarações aberrantes, que revelam, a ignorância e inabilidade de alguns cristãos, quanto à essência e o verdadeiro significado da palavra “religião”. Tais comparações equivalem a negar o nome de Jesus Cristo, ao pô-lo em pé de igualdade com religiões falsas porque não pregam a doutrina de Cristo (veja: 2Pedro 2.1,2; Hebreus 10.29,30; 2João 9).
Isso ocorre porque não sabem no que crêem, como crêem, e porque crêem: “Poucos cristãos sabem exatamente no que crêem. Não são capazes de definir sua forma de crer. Se soubessem conceituar algum ponto doutrinário, teriam dificuldades para apoiá-lo biblicamente”1. Esse parêntese colocado pelo Instituto Cristão de Pesquisas (ICP), na Bíblia apologética, de sua edição, expressa exatamente essa trágica e preocupante realidade nos dias atuais da nossa igreja.
Muitos se enquadram no rol daqueles que foram exortados e reprovados pelo Senhor Jesus quando lhes diz: “... Porventura não errais vós em razão de não saberdes as Escrituras nem o poder de Deus?” (Marcos 12:24). A estes seria bom atentar para os conselhos do Sábio Salomão, e dos apóstolos Paulo e Pedro, respectivamente (veja: Provérbios 22.21; 27.11; 2Timóteo 2.15; 1Pedro 3.15).

O Cristianismo entre as religiões

O Cristianismo não é apenas mais um número na soma das diversas religiões espalhadas pelo mundo.
A incoerência para com as verdades bíblicas, concernentes à religião de Cristo, existente nos jargões verbais “Eu não prego religião” ou “religião é como futebol e política, não se discute”, consiste no agravo a integridade e singularidade da obra redentora consumada na cruz por Cristo, ao equipará-lo às demais religiões, futebol e política. Estes por sua vez corruptíveis e incapazes de viabilizar para o homem redenção e salvação (veja: Eclesiastes 1.14; Salmos 51.5; Romanos 1.23; 3.23; 1João 1.8,10).
O Teólogo Thomas Paul Simmons sobre esta questão diz: “O cristianismo é a única religião com uma expiação. Conta-se que há alguns anos passados, quando se reuniu um Parlamento de Religião na Exposição de Chicago, Joseph Cook, de Boston, o orador escolhido do cristianismo, levantou-se, depois de terem sido apresentadas outras religiões, e disse: “Eis aqui Lady Macbeth com as suas mãos manchadas com a morte infame do Rei Duncan. Vede-a como perambula pelas salas e corredores de sua casa palacial, detendo-se para gritar. “Fora, mancha danada! Nunca mais estas mãos ficarão limpas?” O representante do cristianismo virou-se para os adeptos de outras religiões e os desafiou triunfantemente: “Pode alguém de vós que estais tão ansiosos de propagar vossos sistemas religiosos proporcionar qualquer eficácia purificadora para o pecado e a culpa do crime de Lady Macbeth? Emudeceram, porque nenhum deles teve uma expiação a oferecer”2. É exatamente esta a condição das demais religiões em detrimento da “religare” de Cristo. Nenhuma delas reclama para si poder divino de “religare”, ligar novamente, “katallasso”, reconciliação com o Criador divino.
Posta a verdadeira significação e propósito da palavra religião. Chegamos então a conclusão que todas as religiões extra-cristianismo são falsas. A religião sem Cristo, no significado da palavra perde a originalidade, não tem sentido, propósito, nem razão de ser. As Sagradas Escrituras declaram que “...há um só Deus, e um só Mediador [religare, reconciliador, redentor, caminho] entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.” (I Timóteo 2.5). Assim sendo, Buda (Budismo), Maomé (Islamismo), Allan Kardec (Espiritismo), Charles T. Russel (Jeovismo), Joseph Smith (Mormonismo), Maria (Mariolatria), todos os demais homens e suas respectivas religiões não podem salvar. Todos eles, homens e mulheres corruptíveis, nascidos “...do sangue, ...da vontade da carne, ...da vontade do homem...” (João 1.13). Concebidos em pecado e no pecado da criação caída (veja: Salmos 51.5; Isaías 48.8). Jesus diferentemente destes foi gerado não da relação sexual entre o homem e a mulher, não da carne em que há corrupção, mas do Espírito Santo de Deus (veja: Lucas 1.30-35), incorruptível e sem pecado (veja: Atos 2.22-32; Hebreus 7.26; 1Pedro 1.18,19,23; 2.21,22; 3.18; 1João 3.5). “Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por Ele [Jesus] se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hebreus 7.25).

Disse Jesus:

“Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” (João 15:5).

“Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” (João 14:6)

“Portanto, qualquer que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus.” (Mateus 10.32)

Contudo não fica nisto. Não é meramente o fato de um indivíduo ou religião declarar credo no nome de Cristo, a evidência de sua cristandade, veja:

“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.” (Mateus 7.21)

“Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim.” (Mateus 15.8)

“E Jesus, respondendo-lhes, começou a dizer: Olhai que ninguém vos engane; Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos.” (Marcos 13.5,6)

“Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te.” (II Timóteo 3.5)

“Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o crêem, e estremecem.
Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é morta?” (Tiago 2.19, 20)

Coexistem junto ao credo no Cristo as doutrinas cristãs ensinadas pelo próprio Cristo:

“Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;
Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.”
(Mateus 28.19,20).

Existe a obrigatoriedade da parte de todo indivíduo ou religião que professa fé no Cristo de abraçar e guardar as suas doutrinas. Assim diz o próprio Cristo:

“Se me amais, guardai os meus mandamentos. (João 14:15).

“E perseveravam na doutrina dos apóstolos [de Cristo]*, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.” (Atos 2:42)

O apóstolo João nos adverte a não recebermos em comunhão aqueles que não guardam os mandamentos de Cristo:

“Porque já muitos enganadores entraram no mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em carne. Este tal é o enganador e o anticristo. Olhai por vós mesmos, para que não percamos o que temos ganho, antes recebamos o inteiro galardão. Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho. Se alguém vem ter convosco, e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis. Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras.”
(2João 7-11)
O apóstolo Paulo por sua vez assevera:

“E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles. Porque os tais não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre; e com suaves palavras e lisonjas enganam os corações dos simples.”
(Romanos 16.17, 18)

Infelizmente a semente maligna do relativismo e ecumenismo germina o pensamento de alguns cristãos, quando relativizam a verdade. Cultivando o ecumenismo religioso-doutrinário, quando comungam com religiões falsas que ensinam heresias.
Não nos esqueçamos que ser fiel a Deus não consiste apenas na prática de dízimos e ofertas, mais também na guarda dos demais mandamentos do Senhor, amar a verdade e a justiça do Reino de Deus (veja: João 14.15; Mateus 23.23; 2Tessalonissenses 2.10-12; Apocalipse 14.12).



1. Texto Bíblico: versão João Ferreira de Almeida, Corrigida, Fiel ao texto original.
2. Texto adaptado: www.obreiroaprovado.com/ Autor: Thomas Paul Simmons/ A Doutrina da Expiação.
*Nota: Os parênteses nos textos
bíblicos
foram inseridos por mim, com a finalidade de facilitar e auxiliar no entendimento do texto, no que tange à questão aqui debatida.
Textos bíblicos extraídos da Bíblia versão João Ferreira de Almeida, Corrigida e Fiel ao texto original.

por Ednaldo Brasileiro,
membro da 2ª Igreja Batista em Feira de Santana, Bahia.
e-mail:
guardianfaith@gmail.com.br

2 comentários:

Anônimo disse...

A paz do Senhor Pastor Ednaldo Souza Brasileiro! Sou eu Eduardo! Estou aqui com Rafael Apologeta e historiador bíblico conhecedor profundo das verdades de Deus! Como vai? Amanhã temos seminário viu? Vamos batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos! (Judas 3) Deus te abençoe e te guarde! Que a paz do maior apologeta que já existiu esteja convosco (JESUS CRISTO)

GuardianFaith BLOG disse...

Saudoso irmão Eduardo, realmente o primeiro e maior apologista, quando esteve entre nós homens, foi o nosso Senhor Jesus Cristo, nosso grande mestre na arte de advogar as causas doutrinárias bíblicas. Este grande advogado que aos 12 anos de idade já pelejava contra os ataques à integridade da sã doutrina cristã: “E, tendo ele já doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume do dia da festa.
E, regressando eles, terminados aqueles dias, ficou o menino Jesus em Jerusalém, e não o soube José, nem sua mãe.
Pensando, porém, eles que viria de companhia pelo caminho, andaram caminho de um dia, e procuravam-no entre os parentes e conhecidos;
E, como o não encontrassem, voltaram a Jerusalém em busca dele.
E aconteceu que, passados três dias, o acharam no templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo-os, e interrogando-os.
E todos os que o ouviam admiravam a sua inteligência e respostas.
E quando o viram, maravilharam-se, e disse-lhe sua mãe: Filho, por que fizeste assim para conosco? Eis que teu pai e eu ansiosos te procurávamos.
E ele lhes disse: Por que é que me procuráveis? Não sabeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai?”
(Lucas 2.42-50)
Quanto ao pastor, obrigado, mas deixemos que o Senhor cuide de confirmar, se para sim ou para não, no seu tempo. Não precipitemo-nos, dando ou recebendo, títulos e incumbências de homens e não do bom e sábio Deus.

Paz e Graça no Senhor Jesus!!!

Atenciosamente,
Ednaldo Brasileiro.

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