sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

BRILHAR: Uma vocação dos discípulos de Jesus!!!


Maria das Neves Enéas da Silva[i]


Às vezes, no bulício do mundo e no vaivém do cotidiano, é preciso parar um pouco e deixar que fale o coração. Alguns falam por cartas, outros em diários e outros, ainda, em livros e revistas. Atualmente é possível também falar em sites, blogs, e-mail, etc. E aqui estou, pela primeira vez neste blog, para deixar fluir uma das “falas do meu coração”.


Esta reflexão pretende estabelecer um contraponto entre ser farol e ser vaga-lume. E mais que isto, propõe um consenso entre os dois. Senão, vejamos...


Um farol é uma torre com um holofote potente, cujo facho de luz é visível ao longe e serve para ajudar a navegação. Os faróis são usados desde há muito tempo, eles foram concebidos para avisar os navegadores que estavam a se aproximar da terra ou de porções de terra.


Um farol é constituído assim: um pedestal de tamanho variável, que é uma torre situada num promontório (falésia, elevação), feito em pedra, metal ou madeira; uma lâmpada que emite luz; um sistema óptico que reflete essa luz até ao horizonte e uma lanterna, que protege a lâmpada e a óptica das intempéries. Ele é constituído em função da distância a que se quer que seja visto pelos navegadores. O alcance geográfico, distância que se vê a luz, depende da relação da altura do farol com a distância que se está e da altura do próprio barco.


Contudo, é bom saber que um farol não é prioridade dos navegantes. Com o passar dos tempos, o farol passou a significar guia, rumo, desincumbindo a tarefa de um amigo que indica os perigos e acidentes num percurso turbulento que é o mar e nos conduz com segurança até o objetivo. A construção deixa de ter significado apenas para a navegação e ganha outro significado. Tanto pela beleza das construções, e das paisagens que circundam os faróis, quanto pela idéia que saiu da navegação e corre pela vida a fora. Adverte-nos sobre o que está por vir...o mal ou o bem...


Vaga-lumes são besouros que emitem luz. Porém, nem todas as espécies possuem luminescência. Só algumas espécies, ao longo da evolução, incorporaram a bioluminescência porque ela facilita a comunicação sexual e a defesa. Os vaga-lumes que não emitem luz em geral desenvolvem atividades diurnas. A luz é produzida pelo organismo do inseto com uma reação bioquímica que libera muita energia.


Povos antigos da América Central prendiam vaga-lumes ao tornozelo, pulsos e cabeça, enquanto dançavam. O visual era meio psicodélico, pois as luzes esverdeadas desenhavam seus movimentos. Presos em copos de vidro, eram usados também como lamparina. Até hoje os vaga-lumes encantam com seu pisca-pisca. Dependendo da espécie, a luz pode ser mais intensa. A luz da fêmea é sempre mais fraca. O macho, por outro lado, pode mudar a intensidade de sua luz e piscar a cada um ou dois segundos. Isso é sinal de namoro. Isso pode nos orientar quanto às conquistas amorosas que pretendemos desenvolver!


O que faz desse inseto uma fonte de luz é uma reação bioquímica. O vaga-lume possui células especializadas em fabricar luz. Quatro fatores se combinam para isso: o oxigênio, a energia contida nas moléculas do trifosfato de adenosina (substância presente nas células de todos os seres vivos), uma enzima chamada luciferase e um combustível: a luciferina.


A mistura de oxigênio, luciferina e luciferase, libera energia em forma de luz. E tudo é feito com uma naturalidade e precisão capazes de deixar boquiaberto o mais graduado bioquímico. A técnica de produção de luz do vaga-lume é motivo de estudos, pois já se descobriu que durante o processo o inseto elimina a possibilidade de formação de radicais livres, substâncias que envelhecem as células e desenvolvem doenças como câncer e problemas do coração.


O capítulo 58 do livro de Isaías mostra uma fonte de justiça, proteção, saúde e luz. Ao falar do jejum mais importante para Deus, lembra a importância de repartir o pão com os famintos, hospedar os desabrigados e vestir o nu. A luz aqui é produzida através da substância química do amor ao próximo. Neste mundo sem Deus, muitas vezes é difícil distinguir o necessitado do aproveitador. Como filhos de Deus, porém, não devemos nos esconder do pobre. A urgência atual é de que os valores da solidariedade autêntica e do altruísmo marquem a nossa personalidade.


Não devemos permitir que este mundo, este deserto onde o amor é escasso, destrua nossa sensibilidade. Comecemos manifestando interesse pelos que estão mais próximos de nós: pais, irmãos, amigos e membros da igreja. A promessa de ser uma fonte de luz vai se cumprir em nossa vida. Deus estará sempre conosco, ajudando-nos a brilhar.


Identificação, armadilha para atrair alimento, ritual de acasalamento ou arma de defesa. A luz que esses bichinhos emitem pode ter um ou vários objetivos. Jesus disse que nós também somos luzes. Quais são nossos objetivos quando emitimos “luzes”?


Os seguidores de Jesus iluminam. Discípulos tipo agente secreto não têm lugar entre os Seus amigos. Alguém concluiu que não pode haver um discipulado secreto, porque ou o segredo destrói o discipulado, ou o discipulado destrói o segredo. Onde estivermos, devemos deixar que todos saibam, naturalmente, que somos de Jesus. As pessoas vão perceber isso quando falarmos, brincarmos ou sorrirmos.


Os amigos de Jesus ajudam a iluminar a vida de outras pessoas. Tomemos iniciativas positivas no grupo onde estamos inseridos. Muitas vezes, ações negativas acontecem porque falta alguém com a coragem suficiente para dizer: "Isto eu não vou fazer". A posição firme de um só pode salvar quatro ou cinco. Além disso, todos nós precisamos de um incentivo.


O processo que os bichinhos "iluminados" usam chama-se luminescência, pois a luz que produzem não tem origem numa fonte de calor. Isso não os impede, porém, de brilhar nas trevas onde vivem. Nossa luz vem de Jesus, a fonte inesgotável de amor e energia. Mesmo que em nosso "mar" profundo, a escuridão pareça dominar, com Jesus temos sempre luz. Não dá pra esconder.


Observemos o texto de Filipenses 3.12-21

12 Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus.

13 Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão,
14 prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.
15 Todos
, pois, que somos perfeitos, tenhamos este sentimento; e, se, porventura, pensais doutro modo, também isto Deus vos esclarecerá.

16 Todavia, andemos de acordo com o que já alcançamos.
17 Irmãos, sede imitadores meus e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós.
18 Pois
muitos andam entre nós, dos quais, repetidas vezes, eu vos dizia e, agora, vos digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo.

19 O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas terrenas.
20 Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo,
21 o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual
ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas.


Pois bem, o consenso acima citado pode muito bem ser esclarecido a partir desse texto, onde Paulo nos exorta a respeito do que vamos alcançar somente na glória junto ao Pai: seremos faróis também, assim como Jesus o é! Dito de outra maneira, nossa missão de sermos semelhantes a Ele alcançará verdadeira concretude na eternidade. Aqui nesta vida terrena, se cumprirmos direitinho o papel de “vaga-lumes” e/ou “faróis” (com letras minúsculas!) já podemos nos dar por muito satisfeitos. Deus diz: “o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Coríntios 12.9). O nosso entendimento a respeito de que a graça do Senhor nos basta nos proporcionará uma vida melhor, apesar dos pesares! Ainda lembrando Paulo, “pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco, então é que estou forte” (2 Coríntios 12.10). Se somos verdadeiros discípulos de Cristo, conseguimos sentir alegria a respeito de tudo que se relaciona com o Seu Reino, embora enfrentemos intempéries no dia a dia. Que Deus nos dê ânimo para fazer jus à nossa verdadeira vocação: brilhar por causa de Jesus!



Referências:






[i] Pedagoga e educadora cristã; membro da Segunda Igreja Batista de Feira de Santana; especialista em alfabetização pela PUC-MINAS; estudante de pós-graduação do curso Doutorado em Educação pela Universidad Del Mar – Chile. Docente do Curso de Pedagogia da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), sendo professora auxiliar em regime de dedicação exclusiva do Departamento de Educação - DEDC XIII – Itaberaba. Atualmente investiga o desenvolvimento da aprendizagem da língua escrita pelas crianças que freqüentam escolas itinerantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). E-mail: md.dasilva@hotmail.com

7 comentários:

Ednaldo Brasileiro (GuardianFaith) disse...

Maria das Neves é uma querida amiga de fé que vem somar com suas palavras em força e inspiração a missão do 'GF'. Assim, quero aqui registrar nossa alegria em tê-la por aqui, também votos de boas vindas, neste primeiro tema, e esperamos ser o princípio para vários outros. Seja bem vinda.
Saudações fraternas em Cristo.

Att,
Ednaldo Brasileiro (Redator GF)

Naiah Almeida disse...

Valeu muito visitar este blog por encontrar um texto que traduzisse tão claramente a nossa missão designada por Cristo. Meus parabéns à autora! Gostaria de ter a oportunidade de ler outros escritos seus.

Dryka Santos disse...

GOSTEI MUITO DESSE TEXTO!TODAS AS PESSOAS QUE SEGUEM A CRISTO DEVEM MEDITAR EM ORIENTAÇÕES COMO ESTA,POIS MESMO NOS DIAS ATUAIS É POSSÍVEL E NECESSÁRIO FAZER A LUZ DE JESUS BRILHAR ATRAVÉS DE NOSSAS VIDAS.QUE DEUS CONTINUE INSPIRANDO A AUTORA!UM ABRAÇO.

MAEVE MASCARENHAS disse...

Fiquei aqui pensando sobre o texto que li. Se não conhecesse a autora Maria da Neves e fizesse apenas uma análise textual, diria que o texto consegue estabelecer uma interação dialética entre fé, poesia e solidariedade na busca de um sentido para a vida de nós seres humanos muito pertinente.Porém posso ir além dessa análise, sou amiga de Neves e sei que se comporta conforme escreve. Devemos, sim, buscar esse farol, esse vaga-lume que mira o coração do outro, o exercício constante do Ser Solidário, que não impõe verdades, mas dialoga: o grande exercício da Maiêutica Socrática.O farol pode nos nortear, todavia vamos querer ¨ver a luz do farol?¨ Devemos estar abertos ao outro e vice-versa , porque quando nos damos para o outro, estamos nos dando a nós mesmos.E mais, é difícl o equilíbrio entre as relações humanas, fé, solidariedade. Paulo não se descuidava desses componentes, penso que Neves também não. Comentário de Maeve Mascarenhas

Rafael Bastos disse...

Olá!Pela primeira vez acesso um blog com uma responsabilidade tão diferente; é mais uma missão, na verdade!Tem muita orientação e alerta, mesmo para quem não é cristão...E esse texto da professora Nevinha me encantou sobremaneira! Fiquei imaginando como seria ela mesmo falando desse assunto pra nós...O compromisso revelado e mais precisamente vivido! Valeu a experiência inédita para mim! Continuem, vocês vão longe! Parabéns!

Apologeta disse...

Caro Rafael Bastos!

Grato por sua postagem no Guardian Faith. Ficamos felizes que tenha gostado do blog (e do artigo postado), mas é bom esclarescer que a tônica deste blog é apologética e não textos de cunho devocional. Estamos aqui para defendermos o Evangelho (Filipenses 1:17) e batyalharmos pela fé (Judas 1:3). O artigo da irmã Maria das Neves Enéas da Silva, abrilhanta o nosso blog e decidimos fazer uma concessão, publicando o mesmo. Mas devo adverti-lo meu caro que é tarefa deste blog aclarar a visão cristã acerca de falsas teologias e doutrinas que têm se espalhado feito "formiga no açúcar" no mundo. Sabemos que os falsos mestres não deixarão de existir e que há uma tênue linha entre o engano satânico e a verdade divina. Por isso nossa necessidade vigente como crentes é: combater o bom combate e militar a boa milícia da fé, como bons soldados de Jesus Cristo (I Timóteo 6:12; II Timóteo 2:3 II Timóteo 4:7)


No Deus-Messias do Evangelho Pleno,

Apologeta!

Evangelista Eduardo França é autor do DVD: Milagres: De onde eles procedem? (Categoria: APOLOGÉTICA. À venda nos sites: CACP, MCK e MERCADO LIVRE). Co-Fundador e articulista do blog Guardian Faith: www.guardianfaith.blogspot.com

Rafael Bastos disse...

Sr. evangelista Eduardo,

Novamente visitando este blog fiquei surpreso ao ver que o senhor fez algumas considerações sobre o meu comentário.Obrigado! Gostei do esclarecimento sobre o objetivo principal do blog e sobre a concessão feita à professora Maria das Neves. Apenas desejo insistir em uma coisa: acho que o conteúdo desse texto é também apologético, porque somente uma religião verdadeira propaga a necessidade de brilhar como sendo vocação real de quem segue a Jesus Cristo! Continuarei visitando vocês, certo? Cordiais abraços,

Rafael

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