quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

NPP: Nova Perspectiva de Paulo (Tempora Mores Blog)





Quando a gente pensa que já viu de tudo nos círculos acadêmicos de estudos bíblicos é surpreendido com a chegada de uma abordagem potencialmente revolucionária sobre o apóstolo Paulo. Essa abordagem acaba trazendo um profundo impacto em uma das doutrinas mais preciosas para os evangélicos, especialmente aqueles que se identificam com a Reforma protestante do séc. XVI.

Estou falando da “Nova Perspectiva sobre Paulo,” um movimento que tem cerca de 20 anos de existência e que somente mais recentemente chegou ao Brasil, especialmente através dos escritos N. T. Wright, de quem falaremos mais adiante. A NPP (“Nova Perspectiva sobre Paulo”) desde cedo caiu sob fogo cerrado de estudiosos dentro do campo Reformado. Homens do calibre de John Piper, D. A. Carson, Lingon Duncan, Sinclair Ferguson, e muitos outros têm escrito livros e artigos e feito palestras manifestando preocupação com as implicações deste movimento (veja aqui um estudo meu em português).

O que é, então, a NPP? Quais as suas propostas e por que elas têm causado furor entre os estudiosos evangélicos reformados? De maneira sucinta, a NPP defende que desde a Reforma protestante nós temos lido as cartas de Paulo de maneira errada. Pensávamos que o centro da pregação dele era a justificação pela fé sem as obras da lei, quando na verdade Paulo estava polemizando contra aqueles pregadores judeus cristãos que não queriam a presença dos gentios na nascente igreja judaico-cristã. É preciso, então, abandonar a “velha” perspectiva, que teve origem em Lutero e demais Reformadores, e adotar uma nova, que faça justiça aos fatos da época do apóstolo.

Deixe-me tentar explicar melhor como tudo isto começou, se é que é possível fazê-lo num espaço curto e mais ou menos informal como este.

1) Primeiro, é necessário entender que antes de ser uma nova perspectiva sobre Paulo, esta abordagem é uma nova perspectiva sobre o Judaísmo da Palestina nos tempos de Paulo. Estudiosos como E. P. Sanders (Paul and Palestinian Judaism, 1977) conseguiram convencer a muitos que o Judaísmo do primeiro século não era uma religião legalista de busca de méritos para a salvação. Os judeus já se consideravam salvos e faziam as obras da lei para permanecer no povo de Deus. Os fariseus, apesar do seu apego às leis de Moisés, sabiam que a salvação não era pela obediência a estas leis, mas pela fidelidade de Deus à aliança feita com Abraão. Portanto, quando Paulo dizia que a salvação era pela fé sem as obras da lei ele não estava combatendo o legalismo ou a tentativa de salvação pelas obras. Ele estava simplesmente condenando a ênfase que os judeus davam a estas obras a ponto de não permitir que não-judeus convertidos ao Cristianismo fossem considerados parte do povo de Deus.

Apesar de sua importância, há vários problemas com a obra de Sanders. Um deles é que ele usou fontes do século III e IV (Talmude, Mishna, midrashes) para reconstruir o pensamento judaico do século I, algo que chamamos de anacronismo.

2) A nova perspectiva de Sanders sobre o Judaísmo trouxe uma nova perspectiva sobre a Reforma. Para os defensores da NPP, Lutero leu Paulo à luz da sua própria experiência e assim desviou as igrejas reformadas da correta interpretação do que o apóstolo havia escrito sobre salvação, justificação e obras da lei. Já em 1963 o luterano Krister Stendhal havia escrito um artigo influente (“Paulo e a Consciência Introspectiva do Ocidente”) em que ele acusava Lutero de ter imposto a Paulo o seu próprio drama existencial quanto à salvação. Paulo nunca teve problemas de consciência antes de sua salvação, disse Stendhal, nem qualquer outro judeu daquela época. Ninguém estava perguntando “o que posso fazer para ser salvo” – essa foi a pergunta de Lutero, mas não era a pergunta de Paulo e nem dos judaizantes com quem ele discutiu em Gálatas. Além disto, as Confissões de Agostinho também influenciaram em demasia a igreja no Ocidente, levando-a à introspecção e à busca individual da salvação. Isso fez Lutero ver na polêmica de Paulo contra as “obras da lei” em Gálatas e Romanos a sua própria luta em busca de salvação dentro da igreja católica – o que foi um erro. Os defensores da NPP criticam os reformados por terem defendido durante tanto tempo que o centro da pregação de Paulo, bem como do Novo Testamento, era a doutrina da justificação pela fé, quando esta, na verdade, era a agenda de Lutero e não de Paulo.

Todavia, como tem sido observado, não foram somente os luteranos que tiveram este entendimento – o protestantismo em geral, inclusive aquele não influenciado diretamente pelas obras de Lutero e demais reformadores, sempre entendeu, lendo sua Bíblia, que ela trata essencialmente deste assunto: de que maneira o homem pode ser justificado diante de um Deus santo e justo?

3) Na seqüencia, veio uma nova perspectiva sobre as “obras da lei”. A Reforma sempre entendeu que “obras da lei” em Gálatas e Romanos, contra as quais Paulo escreve, eram aqueles atos praticados pelos judeus em obediência aos mais estritos preceitos da lei de Moisés. Eles procuravam guardar tais preceitos visando acumular méritos diante de Deus. Foi contra tais obras que Paulo asseverou aos gálatas e aos romanos que a salvação é pela fé em Jesus Cristo, somente. Mas, James G. Dunn, em especial, argumentou que as “obras da lei” a que Paulo se refere em Gálatas e Romanos eram a circuncisão, a guarda do calendário religioso e as leis dietárias de Moisés – sinais identificadores da identidade judaica no século I. Paulo era contra aquelas coisas porque elas separavam judeus dos gentios e impediam que gentios convertidos se sentassem à mesa com judeus convertidos. Em outras palavras, a polêmica de Paulo não era contra o legalismo dos judaizantes, mas contra a insistência deles em manter os gentios distantes. A questão não era soteriológica, mas eclesiástica. A Reforma havia perdido este ponto de vista por causa de Lutero e Agostinho.

Mas, cabe aqui a observação, se as obras da lei não eram esforços meritórios fica muito difícil entender não somente Gálatas e Romanos, mas inclusive passagens de Atos, como esta: “Alguns indivíduos que desceram da Judéia ensinavam aos irmãos: Se não vos circuncidardes segundo o costume de Moisés, não podeis ser salvos” (At 15:1). No fim tenho de escolher se acredito em Atos ou no que Dunn está dizendo.

4) Tudo isto trouxe o que James Dunn chamou de uma “nova perspectiva” sobre Paulo. Esse movimento se dividiu em duas linhas gerais. (a) Os mais radicais, que acham, como H-J Schoeps, que Paulo, por ser um judeu da Dispersão, não entendeu e portanto torceu inadvertidamente a soteriologia do Judaísmo da Palestina, atacando-o por julgar que era uma religião baseada em méritos, quando, na verdade, não era. Outros, como H. Räisänen, alegaram que Paulo era judeu por fora e gentio por dentro, o que lhe causava uma ambigüidade nunca vencida, que o levava a falar mal da lei em Gálatas e bem dela em Romanos. Nesta vertente, o problema é Paulo, que passou uma visão distorcida dos judeus e fariseus do primeiro século. Esta linha dentro da “nova perspectiva” não tem muitos defensores. A que ganhou mais aceitação foi a segunda, (2) aqueles que afirmam que o problema não é Paulo, mas os reformados que o leram com os óculos de Lutero. É preciso olhar Paulo de uma nova perspectiva, que leve em conta as descobertas de Sanders (Judaísmo não era legalista), Stendhal (Paulo era um fariseu sem problemas com a lei), Dunn (obras da lei são apenas marcadores de identidade judaicos). É preciso reler Gálatas e Romanos deste novo ponto de vista e tentar descobrir qual era realmente a polêmica de Paulo com os judeus, judaizantes e fariseus de sua época. Tem que ser outra coisa, mas não este assunto de salvação pela fé sem as obras da lei.

A pergunta que não quer calar é como a Igreja toda, mesmo contando com exegetas e teólogos do maior calibre, conseguiu se enganar por tanto tempo, do sécuilo XVI até hoje, em um assunto tão básico?

5) E por fim, tudo isto trouxe uma nova perspectiva sobre a justificação proposta pelos defensores da NPP. Os reformados sempre afirmaram, com base em Gálatas, Romanos e demais livros do Novo Testamento, que a mensagem central das cartas de Paulo é que os pecadores podem ser justificados de seus pecados mediante a fé em Jesus Cristo, sem obras pessoais e meritórias. E que esta justificação consiste em Deus nos imputar – isto é, atribuir – a própria justiça de Cristo. Lutero dizia que somos justificados com uma justiça alheia, a de Cristo, e não com uma justiça nossa, que procede de nossa obediência à lei de Deus (obras da lei). Lutero e demais reformadores entenderam que esse era exatamente o ponto de discussão entre Paulo e os judaizantes, que à sua época queriam exigir que os crentes não judeus guardassem a lei de Moisés para poderem ser salvos.

É aqui que entra em cena Nicholas Thomas Wright, bispo anglicano de Durham, Inglaterra, provavelmente hoje o estudioso mais conhecido e destacado que defende a “nova perspectiva” sobre Paulo. Ele ganhou a simpatia de muitos evangélicos por suas posições firmes contra o aborto e a eutanásia e as uniões civis de homossexuais dentro da Igreja Anglicana.

O ponto mais controverso da posição de Wright sobre Paulo é sua tentativa de redefinir a doutrina da justificação pela fé. Wright abraça a “nova perspectiva”, seguindo Stendahl, Sanders e Dunn. A principal obra de Wright, que o marcou como um defensor da “nova perspectiva” é What St. Paul Really Said (1997). Segundo ele, para Paulo a justificação não significa que Deus transfere a sua própria justiça ao pecador, como ensina a doutrina da imputação; Deus, à semelhança do que se faz num tribunal, considera vindicado o pecador, sem, todavia, imputar-lhe a sua própria justiça. Segundo Wright, é esse o caso nos tribunais gregos – nenhum juiz imputa ao acusado a sua própria justiça pessoal, simplesmente o absolve. A conclusão é que Paulo nunca ensinou a doutrina da imputação da justiça. Não é isso o que Paulo entende por justificação, justificar e justificado. Deus absolve o pecador por causa de sua fidelidade ao pacto, à aliança. É isso que significa a sua justiça.

Tem coisa boa na NPP? Tem, sim. O movimento nos desperta para estudarmos o contexto de Paulo mais profundamente. Os estudos de Sanders nos trouxeram muitas informações sobre o pensamento rabínico dos séculos III e IV quanto à salvação. As observações de Stendhal nos ajudam a ter uma visão mais correta sobre a relação pessoal de Paulo para com a lei – ele realmente não era um fariseu em crise existencial antes de se converter. E Dunn chama nossa atenção para o aspecto missiológico e social da polêmica de Paulo contra as obras da lei. Todavia, estes aspectos positivos não anulam as sérias implicações do movimento, especialmente quanto à doutrina da justificação.

Isso pode soar como mais uma daquelas questiúnculas irrelevantes que ocupam os teólogos a maior parte do tempo. Todavia, não é. O que a NPP coloca em jogo são duas das mais importantes doutrinas da fé cristã, que são a morte substitutiva de Cristo e a imputação da sua justiça aos que crêem. Mesmo que Wright fale que os crentes terão seus pecados perdoados, fica a pergunta: com base em que, se a morte de Cristo não é substitutiva e nem seus méritos são transferíveis?

Prefiro a velha perspectiva. Nem sempre o vinho novo é o melhor.




Augustus Nicodemus Gomes Lopes é paraibano e pastor presbiteriano. É bacharel em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Norte (Recife), mestre em Novo Testamento pela Universidade Reformada de Potchefstroom (África do Sul) e doutor em Interpretação Bíblica pelo Westminster Theological Seminary (EUA), com estudos no Seminário Reformado de Kampen (Holanda). Foi professor e diretor do Seminário Presbiteriano do Norte (1985-1991), professor de exegese do Seminário JMC em São Paulo, professor de Novo Testamento do Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper (1995-2001), pastor da Primeira Igreja Presbiteriana do Recife (1989-1991) e pastor da Igreja Evangélica Suíça de São Paulo (1995-2001). Atualmente é chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie e pastor auxiliar da Igreja Presbiteriana de Santo Amaro. É autor de vários livros, entre eles O que você precisa saber sobre batalha espiritual (CEP), O culto espíritual (CEP), A Bíblia e Sua Familia (CEP) e A Bíblia e Seus Intérpretes (CEP). É casado com Minka Schalkwijk e tem quatro filhos Hendrika, Samuel, David e Anna.







quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Revelações Extrabíblicas




Como tem Deus revelado a Si mesmo?

A resposta cristã a essa pergunta é que Deus revelou-se a Si mesmo "por muitas vezes e de muitas maneiras”, nos dias da anti­guidade. Nestes últimos dias, entretanto, Deus se tem revelado a nós plena e finalmente, na pessoa de Jesus Cristo, conforme Ele é apresentado na Bíblia (Hebreus 1.1,2).

A Palavra de Deus, portanto, é a revelação final e completa de Deus, que não pode ser substituída por qualquer outra revelação. As seitas, porém, não têm este compromisso, porquanto acreditam na doutrina herética de supostas revelações extrabíblicas. Eles afirmam que Deus tem falado e registrado palavras, através de quais­quer meios, desde o tempo em que nos deu as Escrituras do Novo Testamento. Asseveram, pois, que Deus fala ou tem falado a parte da Bíblia.
A primeira e mais típica característica de uma seita é que reivindica como sua autoridade alguma revelação distinta das claras assertivas da Palavra de Deus. A maioria das seitas afirma respeitar os ensinamentos da Bíblia. Muitas dessas seitas chegam mesmo a atribuir inspiração divina às Sagradas Escrituras. Logo, porém, anun­ciam a sua real confiança em alguma revelação subseqüente, o que, na verdade cancela o ensino da Bíblia em favor de algo novo e supostamente mais autoritativo, que, segundo eles dizem, Deus revelou somente há pouco tempo. Portanto, estão dizendo que a Bí­blia é apenas uma parcela da revelação verbal de Deus, e que Ele tem falado, ou continua falando, de uma forma extrabíblica, à parte das Escnturas.
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Uma seita, em Los Angeles, publicou recentemente o seguinte:
"Para você, a Bíblia tornou-se o Livro; mas quero que você saiba que Deus tem inspirado a homens e mulheres com o poder de revelarem, em nossos próprios dias, verdades ainda maiores, novos desdobramentos que partem do coração da vida”.
"Acima de tudo, queremos que você tenha seus olhos abertos hoje em dia, para coisas ainda maiores que estão chegando, pois Deus está fazendo maravilhas entre os ho­mens. Regozije-se na nova revelação, que transborda de esperança. O novo revelará a você o antigo com frescor renovado. Não permita dúvidas. Lance-se nas profundezas de Deus e não tema. A eternidade já chegou".
Algumas vezes, essas revelações extrabíblicas vêm por inter­médio de algum “líder divinamente inspirado”. Muitas religiões têm atribuído autoridade divina à pessoa de algum indivíduo, que é infalível quando fala, cujas palavras têm a mesma autoridade, ou mesmo maior autoridade do que as Santas Escrituras. Algumas dessas religiões têm feito seus líderes iguais a Deus.
Em qualquer lugar do mundo, as seitas continuam em busca de uma revelação melhor do que a Palavra de Deus. William Bra­nham, em seu livro Word to the Bride (Uma Palavra à Noiva), escreveu: “Uma noite, quando eu estava buscando ao Senhor, o Espírito Santo disse-me que apanhasse a pena e escrevesse. Enquan­to eu estendia a mão para apanhar a pena, o Espírito Santo deu-me uma mensagem para a Igreja. Quero anunciá-la a vocês... Tem a ver com a Palavra e com a noiva”.
O Deus da Bíblia, sabendo que isso sucederia no futuro da Igreja, declarou mui claramente que a Sua Palavra, as Escrituras, é a revelação final e insuperável. O Espírito Santo orientou o apóstolo João a encerrar categoricamente a revelação verbal de Deus, quan­do disse: “Eu, a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro, testifico: Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro; e se alguém tirar qual­quer cousa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa, e das cousas que se acham escritas neste livro” (Apocalipse 22.18,19).
Como é claro, pois, há nas Escrituras uma temível maldição imposta sobre todo aquele que resume apresentar alguma nova revelação verbal da parte de Deus.

Numa frenética tentativa de racionalização, alguns cultistas têm afirmado: “Bem, a nossa revelação não se alicerça sobre a palavra do homem, mas provém de uma origem superior”. A reivin­dicação dos mórmons, acerca da revelação recebida de um anjo, é uma boa ilustração disso.

Como se estivesse prevendo tudo isso, escreveu o apóstolo Paulo: “Mas, ainda que nós, ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anáte­ma. Assim como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema” (Gála­tas 1.8,9).
É verdade que, nos tempos bíblicos, a Palavra de Deus era transmitida aos homens por meio de anjos (Hebreus 2:2). No entan­to a Bíblia instrui-nos que a revelação de Jesus Cristo ultrapassou a tudo isso. “Havendo Deus, outrora, falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as cousas, pelo qual também fez o universo” (Hebreus 1.1,2).

Cristo é superior aos anjos, e a todos os anjos de Deus foi determinado que O adorassem. As palavras finais das Escrituras, “a revelação de Jesus Cristo” (Apocalipse 1.1), jamais poderão ser suplantadas pelos ministérios dos anjos. Por essa precisa razão foi que Jesus Cristo advertiu os Seus discípulos: “Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos...” (João 8.31). Os homens desta nossa época também foram devidamente avisados a darem ouvidos às palavras do Pai: “Este é o meu Filho amado... a ele ouvi” (Mateus 17.5).
É doutrina fundamental do cristianismo que a verdade final, a palavra definitiva, reside em Jesus Cristo. De fato, a Escritura, em si mesma, é ainda mais contundente, pois diz: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (João 1.1).

A verdade final, por conseguinte, é a Pessoa, a Palavra e a obra de Jesus Cristo. Nenhuma revelação subseqüente, quanto ao caráter da verdade, pode tomar o lugar a revelação de Jesus Cristo. É simplesmente impossível haver uma maior revelação do que Cris­to neste ou em qualquer outro possível universo feito por Deus.
Um dos freqüentes artifícios das seitas é validar os seus próprios escritos, colocando-os como iguais às Sagradas Escrituras, para, em seguida, conferir-lhes autoridade maior do que a da Bíblia.
“As escrituras reveladas predizem as genuínas encar­nações de Deus muito tempo antes de acontecerem na terra. Por exemplo, o Antigo Testamento predizia o aparecimento do Senhor Jesus Cristo, e o Srimad-Bhagavatam predisse o aparecimento do Senhor Buda, do Senhor Caitanya Maha­prabhu e mesmo do Senhor Kalki, que não aparecerá antes de quatrocentos mil anos. Sem alusões a alguma predição escriturística comprovada, nenhuma encarnação do Senhor pode ser verídica. De fato, as escrituras advertem que nesta era haverá muitas falsas encarnações. O Senhor Jesus Cristo avisou aos Seus seguidores que, no futuro, muitos imposto­res haveriam de asseverar ser Ele mesmo. Por semelhante modo, o Srimad-Bhagavatam também adverte acerca de falsas encarnações, descrevendo-os como vagalumes que tentam imitar a lua. Os impostores modernos geralmente afirmam que as suas idéias representam os mesmos ensinos ministrados por Cristo ou por Krishna; mas, qualquer pes­soa realmente familiarizada com os ensinos de Cristo ou de Krishna facilmente pode ver que isso é um absurdo” (Back to Godhead, (De Volta ao Supremo), nº 61, 1974, pág. 24).
É dessa maneira que a seita Hare Krishna, os modernos seguidores de Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada, procura obter posição de autoridade nas mentes dos tolos. Eles põem os seus escritos misteriosos e enigmáticos ao lado da Palavra de Deus.
Portanto, cabe aqui uma palavra de advertência. O crente acredita que a Bíblia é a única e final revelação verbal de Deus. Crendo nisso, ele precisa dedicar-se ao estudo da Palavra de Deus de maneira mais intensa do que nunca.
Os sutis ataques que estão sendo desfechados contra a Escri­tura, nestes dias, precisam ser respondidos por crentes bem prepara­dos, em todos os níveis da sociedade. Não basta dedicarmos à Bíblia uma tranqüila veneração, contemplando-a com profunda admiração, como a pedra de toque da fé cristã. A Bíblia é “a espada do Espíri­to” e torna-se um instrumento eficaz contra os assaltos satânicos, quando tecemos os ensinos das Santas Escrituras nas próprias fibras de nossos seres.
Está sendo incoerente e, talvez, até hipócrita, o indivíduo que professa ter uma visão superior das Escrituras, mas negligencia dissipar a sua própria ignorância da verdade de Deus, mediante um programa sério de estudos bíblicos. A grande e primeira razão do avanço das seitas no mundo atual é a ignorância das sagradas Es­crituras por parte dos crentes. A segunda grande razão é a má vontade por parte do povo de Deus em transmitir a verdade divina, mediante o seu testemunho em favor de Cristo, a pessoas que ainda necessitam receber a salvação que há em Cristo.
Segue-se disso que a grande necessidade da comunidade cristã de nossos dias é o retorno ao estudo cuidadoso da Palavra de Deus. A fé de que a Bíblia é a verdade última resulta exatamente desse programa de estudos bíblicos. O estudo das Escrituras produz, na vida do crente, o cumprimento daquela promessa que diz: “E assim, a fé vem pela pregação e a pregação pela palavra de Cristo” (Roma­nos 10.17).

Para a mente honesta, a verdade apresenta suas próprias cre­denciais. Ninguém que se dê ao estudo atento da doutrina bíblica e à memorização das Escrituras, duvidará da autoridade final da Escritura. Só se poderá oferecer resistência aos temíveis assaltos contra a Igreja, por parte de seitas poderosas e cheias de animação, quando os crentes se tornarem poderosos no Senhor, mediante o conhecimento sólido da Sua Palavra.
O salmista escondia a Palavra de Deus no seu coração, a fim de que pudesse resistir às alternativas pecaminosas da vida (Salmos 119.11). Isso significa que ele memorizava porções das Escrituras, assim deveríamos fazer.
A vida do crente ficará firmemente ancorada, capaz de resis­tir a toda oposição, quando estiver firmada em um operoso conhecimento da Sagrada Escritura.

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Fonte: Conheça as Marcas das Seitas, Dave Breese, Ed. Fiel, 2001, pág. 18-22.


Extraído do site: http://www.eleitosdedeus.org/seitas-heresias/revelacoes-extrabiblicas-dave-breese.html#ixzz1CB0WnNUS

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A Soteriologia Crucificada das Seitas





Na teologia sistemática, a Cristologia estuda a Pessoa e as naturezas de Jesus Cristo: Perfeitamente Deus e perfeitamente homem. A Soteriologia estuda a salvação em Jesus Cristo. Conhecer bem essas porções da teologia proporciona ao cristão oportunidades para defender a sua fé conforme as Escrituras Sagradas. (1 Pedro 3:15) Desconhecê-las compromete a apologia cristã e o evangelismo eficiente. Mas discordar delas resulta em heresias contra a Pessoa de Cristo comconsequências eternas para seus propagadores, a menos que se arrependam e passem a crer no verdadeiro Jesus Cristo. - Tito 1:9.
Cristo e a Salvação Segundo as Escrituras
“Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?” (Hebreus 2:3) Estas palavras de exortação do escritor aos Hebreus apelavam para a impossibilidade da salvação sem Cristo Jesus. Conforme o contexto, o escritor inspirado preocupou-se em dar as devidas atribuições à Pessoa de Jesus: Filho (1:2), Criador (1:2), o resplendor da glória de Deus (1:3a), a representação exatado Ser de Deus (1:3b), o sustentador de todas as coisas pelo seu poder (1:3c), Deus adorado pelos anjos (1:6), o Autor da salvação (2:10). Infelizmente, muitos daqueles hebreus que haviam sido ‘iluminados, provado o dom celestial, tornado-se participantes do Espírito Santo, provado a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro’ (6:4-6), corriam sério risco deapostatar por não terem se apegado às verdades ouvidas sobre a Pessoa de Cristo. (2:1) Diante de evidências e confirmaçõessobre a “tão grande salvação”, anunciada pelo próprio Jesus, por ‘sinais, prodígios e vários milagres e por distribuições do Espírito Santo’, ainda assim poderiam desviar-se para ensinos contrários à doutrina cristã sobre o próprio Jesus. Esta exortação (13:22) pela providência divina tem alertado cristãos desde sua escrita até os dias atuais contra o perigo daapostasia. Negar Jesus como a Carta aos Hebreus e a Bíblia o revela significa morte eterna.Negligenciar tão grande salvação em Cristo Jesus significa também discordar da suficiência do sacrifício expiatório de Jesus. A Bíblia indica esta suficiência por falar de um sacrifício definitivo, um pagamento integral. Por isso, lê-se em Hebreus 9:25-28 que Cristo não precisou “oferecer a si mesmo muitas vezes”, mas o fez “de uma vez por todas” e “tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos”. O cristão, assim, tem a certeza plena desua salvação (Romanos 8:38, 39). Tudo o que ele faz simboliza seu agradecimento por tão grande salvação e não uma busca árdua por ela através de obras.
Um outro Salvador, um outro Jesus.
O fato de o escritor da Carta aos Hebreus relembrar sobre a real identidade de Jesus Cristo e alertar de que não poderia haver escape da punição se seus leitores negligenciassem tão grande salvação indicava a possibilidade daquela audiência crer num outro Jesus Cristo. Naqueles idos, muitas heresias já começavam a se aflorar, todas elas apontando para um outro Jesus e, conforme o apóstolo Paulo, muitos cristãos as toleravam. (2 Coríntios 11:4) No final do Século I, João em duas de suas epístolas alertou sobre já haver muitos anticristos (1 João 2:18; 2 João 1:7). Não se tratava de ateus, mas a expressão “não confessavam Jesus Cristo vindo em carne” implica num conceito distorcido, errôneo e destrutivo sobre o verdadeiro Jesus. Seria este um problema apenas daquela época? Paulo alertou: “Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, algunsapostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos dedemônios.” (1 Timóteo 4:1) De fato, Heresias têm surgido contra a Sua Pessoa econtra o seu papel de Salvador.

A Cristologia das Seitas
Os ensinos das Testemunhas de Jeová negam a tão grande salvação por ferir as doutrinas cristológicas. Conforme os escritos do Corpo Governante, sua liderança mundial, encaram Jesus como a primeira criatura de Jeová. Argumentam: Por exemplo, veja o que João escreveu no capítulo 1, versículo 18: “Nenhum homem jamais viu a Deus [o Todo-Poderoso].” No entanto, humanos viram Jesus, o Filho, pois João diz: “O Verbo [Jesus] se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória.” (João 1:14, Al) Como, então, o Filho poderia ser parte do Deus Todo-Poderoso? João disse também que o Verbo estava “com Deus”. Mas como pode uma pessoa estar com alguém e, ao mesmo tempo, ser essa pessoa? Além do mais, conforme registrado em João 17:3, Jesus faz uma clara distinção entre ele e seu Pai celestial. Ele chama seu Pai de “único Deus verdadeiro”. E, quase no fim de seu Evangelho, João resume o assunto dizendo: “Estes foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus.” (João 20:31) Note que Jesus não é chamado de Deus, mas sim de Filho de Deus. Essas informações adicionais, fornecidas no Evangelho de João, mostram como João 1:1 deve ser entendido. Jesus, a Palavra, é “deus” no sentido de que ele tem uma alta posição, mas não é o mesmo que o Deus Todo-Poderoso.” – O Que a Bíblia Realmente Ensina?, página 203.
Em primeiro lugar, ninguém jamais viu a Deus Pai, Filho e Espírito Santo porque, segundo a Bíblia, “Deus é espírito”. (João 4:24) Em segundo lugar, Jesus foi visto como Deus Unigênito (João 1:18), manifestado em carne. (João 1:14) Então, Jesus na terra não deixou de ser Deus, mas assumiu a forma humana para cumprir sua obra expiatória. (Filipenses 2:4-8) Em terceiro lugar, Jesus não constitui uma parte de Deus, mas sim o próprio Deus na Pessoa do Filho. Segundo a Bíblia, o Pai é Deus (1 Coríntios 8:5), o Filho é Deus (João 20:28), o Espírito Santo é Deus, portanto três Pessoas distintas, mas Deus é um só. (Deuteronômio 6:4; João 17:3) Em quarto lugar, Jesus, como homem, poderia perfeitamente referir-se ao Pai como único Deus verdadeiro, pois cada Pessoa Divina é plenamente o Deus verdadeiro. Em quinto lugar, Jesus, plenamente Deus, estava no princípio com o Pai (plenamente Deus) e o Espírito Santo (plenamente Deus). Em sexto lugar, a Bíblia referir-se a Jesus como Filho de Deus ensina que assim como um filho humano tem a mesma natureza de seu Pai, da mesma forma Jesus é tão Deus quanto seu Pai. Isso explica o fato de os judeus considerarem blasfêmia Jesus se fazer igual a Deus por declarar-se Filho de Deus. (João 19:7) E em sétimo lugar, a palavra “Deus” aplicada a Jesus não apenas indica sua alta posição, mas também sua plenitude da divindade. - Colossenses 2:13.
O “Jesus” da Igreja Adventista do Sétimo Dia nada tem a ver com o Jesus das Escrituras. Embora afirmem crer que na Divindade de Jesus, ensinem sua onipotência, onipresença e onisciência, desfazem-se dessas assertivas por apregoarem um “Jesus” que desde 22 de outubro de 1844 iniciou um juízo investigativo. Segundo essa doutrina, Jesus e o Pai iniciaram uma inspeção para averiguar nos livros celestiais, como se a visão de Daniel 7:9, 10 indicasse realmente haver livros no céu, aqueles que realmente foram e têm sido crentes de verdade. (Nisto Cremos, páginas 385 a 403, 8ª. Edição. CPA) Afirmar que Jesus e o Pai precisam analisar livros para justificarem a salvação de uns e de outros representa uma assombrosa heresia contra a onisciência de Deus. Ele “conhece todas as coisas”. (1 João 3:20) E como o verdadeiro Jesus Cristo, onisciente, precisaria investigar algo?
Além disso, A Igreja Adventista do Sétimo Dia apregoa Jesus como o Arcanjo Miguel. Ellen Gould White, a “profetiza”, afirmou: “Ainda mais: Cristo é chamado o Verbo de Deus. João 1:1-3. É assim chamado porque Deus deu Suas revelações ao homem em todos os tempos por meio de Cristo. Foi o Seu Espírito que inspirou os profetas. I Ped. 1:10 e 11. Ele lhes foi revelado como o Anjo de Jeová, o Capitão do exército do Senhor, o Arcanjo Miguel. Foi Cristo que falou a Seu povo por intermédio dos profetas". (Os Patriarcas, página 366) Onde a Bíblia ensina Jesus como o arcanjo Miguel? Se Jesus fosse o arcanjo Miguel, a expressão referente a ele em Daniel 10:13 não teria o menor cabimento: “Miguel, um dos primeiros príncipes”. As palavras “um dos” indicam que há outros príncipes semelhantes a Miguel, mas o mesmo não pode se aplicar a Jesus. Se Jesus expulsou uma legião de demônios (Lucas 8:30-33), se em sua natureza humana, após ser tentado por Satanás, disse ao tentador “Retira-te Satanás”, após o que este lhe obedeceu, como explicar que Miguel, se fosse Jesus, o Todo-Poderoso, na Pessoa do Filho, precisaria lutar com um anjo decaído sobre o corpo de Moisés? (Judas 9) Como o Deus-Filho, ainda em companhia de seus anjos, precisou batalhar contra o Dragão (Satanás) e seus anjos para expulsá-los do céu? (Apocalipse 12:7-12) Por fim, Jesus criou todos os anjos, incluindo Miguel, portanto não é Miguel. - Colossenses 1:16.
No rol de movimentos que rebaixam a Pessoa de Cristo encontra-se a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (SUD), ou Mormonismo. O Livro de Mórmon, em seu apêndice de assuntos, explana sobre a “trindade” deles: “Na Trindade há três pessoas distintas: Deus, o Pai Eterno; seu Filho, Jesus Cristo e o Espírito Santo. Cremos em cada um deles. As revelações modernas nos ensinam que o Pai e o Filho têm corpos tangíveis, de carne e ossos, e que o Espírito Santo é um personagem de espírito, sem carne nem ossos.” (O Livro de Mórmon, 1995, Guia Para Estudos das Escrituras, Apêndice, página 211, verbete Trindade.) Nada mais herético do que negar que “Deus é espírito” (João 4:24). - Veja também Gálatas 4:6, 2 Coríntios 3:17.
O “Jesus” do Espiritismo Kardecista também rebaixa ao extremo a Pessoa de Cristo. Além de usarem os mesmos argumentos das Testemunhas de Jeová contra a Divindade de Cristo, argumentos estes já refutados acima, afirmam: “Se Jesus é Deus, possui a glória por si mesmo e não a espera de ninguém; se Deus e Jesus são um único ser sob dois nomes diferentes, entre eles não poderia existir supremacia, nem subordinação. Ora, não havendo paridade absoluta de posições, segue-se que são dois seres distintos.” (Allan Kardec, Obras Póstumas, página 166, 38a. Edição, Editora, Editora FEB) Todavia, os espíritas, por discordarem da Bíblia como um livro inerrante, aboliram de suas leituras as passagens que não são palavras do próprio Jesus. Então, deixam de entender as duas naturezas de Jesus Cristo, ensinadas por Paulo em suas cartas. (Tito 2:13; Romanos 9:5; Filipenses 2:4-8) Então, questionam como Jesus poderia ser Deus se pediu a Deus glória, conforme João 17:1-5. Mas o mesmo Jesus afirmou: “Antes de Abraão existir, EU SOU.” (João 8:58) A reação instantânea mencionada no versículo seguinte de pretenderem apedrejar Jesus por ter blasfemado indicava que Jesus identificou-se como Deus, por atribuir a si mesmo o “EU SOU” de Êxodo 3:14, nome pelo qual o Senhor Yahweh se identificou a Moisés. Sobre a questão da subordinação, os espíritas kardecistas precisam ser ensinados que Deus – Pai, Filho e Espírito Santo – é Supremo e Uno, mas subsiste em três Pessoas distintas. De modo que entre elas há subordinação, mas isso não implica em inferioridade no conceito de Deus. Por exemplo, Jesus ensina que marido e esposa constituem uma só carne. (Mateus 19:4, 5) Paulo ensina que o cabeça de Cristo é Deus e o cabeça da mulher é o homem. (1 Coríntios 11:3) Os espíritas kardecistas usam a primeira parte do texto, arrazoando: Como Jesus pode ser Deus e inferior a Deus? Mas Paulo não tinha isso em mente, pois ele cria como Jesus: Marido e mulher são uma só carne (Efésios 5:31) e, por isso, assim como a esposa, por ter o marido como cabeça, não se torna inferior a ele, pois ambos têm a mesma natureza humana, assim também o fato de Jesus ter a Deus (Pai) como cabeça e ser-lhe submisso (1 Coríntios 15:24-28) não implica em inferioridade em relação a Ele.
Até aqui observamos vários ensinos heréticos, contrários à sã doutrina, em relação à Cristologia ensinada nas Escrituras. Negar Jesus como Deus, considerá-lo como um arcanjo ou um personagem de carne e ossos no céu abre brechas para outras heresias que se chocam contra a doutrina referente à salvação em Cristo Jesus, pela graça por meio da fé. - Fernando Galli, 10 de junho de 2010.

A SOTERIOLOGIA CRUCIFICADA DAS SEITAS
O sacrifício expiatório de Jesus Cristo foi completo, perfeito. Na cruz, Ele mesmo disse: “Está consumado!” (João 19:30) Não há, então, uma outra etapa no ministério salvífico de Cristo. Por isso, os apóstolos ensinaram que a salvação em Cristo Jesus dependia de um só ato: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo”. (Atos 16:30, 31) A salvação vem pela graça por meio da fé, não pelas obras. (Efésios 2:8, 9) A verdadeira fé, demonstrada numa única vida (Hebreus 9:27), traz consigo boas obras, as quais não salvam, mas revelam uma fé viva ou morta. (Tiago 2:26) Mas fé em quem? No Salvador, Jesus, o “único nome dado pelo qual importa que sejamos salvos”. (Atos 4:12) Não há outro meio de alguém ser salvo sem a fé no único mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem. (1 Timóteo 2:5) Através dessa fé, o salvo recebe poder de se tornar filho espiritual de Deus. (João 1:12; Gálatas 3:26) Como consequência, tem a certeza da salvação. (Romanos 8:38, 39) Opostamente a esses ensinos bíblicos, observam-se mais heresias dos grupos mencionados acima, desta vez contra a sã doutrina soteriológica, tornando a obra expiatória de Cristo insuficiente ou nula
Segundo o Corpo Governante das Testemunhas de Jeová, todos os seus adeptos não têm a menor certeza de sua salvação. Uma de suas publicações afirma: “Mas há um segredo fascinante e intrigante que Jeová revelou na sua Palavra. É chamado de ‘o segredo sagrado da vontade de Deus’. (Efésios 1:9) Se o conhecermos, além de satisfazer a curiosidade, nos candidataremos a obter a salvação.” (Achegue-se a Jeová, página 189. 2002.) Todavia, Paulo diz: “Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.” (Romanos 5:10) Qual o resultado de as Testemunhas de Jeová se considerarem candidatas à salvação? Afirmam: “Sim, trabalhamos arduamente com o fim de obter a nossa própria salvação e de ajudar outros a também serem fiéis.” (Nosso Ministério do Reino de Dezembro de 1984, página 1.) Se não têm certeza de sua salvação, como ousam ajudar outros a também não ter?

A soteriologia da Igreja Adventista do Sétimo Dia considera a obra de Jesus na cruz incompleta, embora não admita isso. Conforme já mencionado, creem que desde 22 de outubro de 1844 Jesus iniciou a segunda parte de seu ministério de salvação, o juízo investigativo. Para isso, nessa data, Ele teria entrado no Santíssimo do Santuário Celestial, para limpar de vez os pecados de seu povo. Então, se na cruz ele perdoou, no juízo investigativo ele está purificando o Santíssimo dos pecados. Mas a Bíblia ensina que desde Sua ascensão, Jesus entrou por nós além do véu (no Santíssimo) como precursor, tendo-se tornado sumo sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque. (Hebreus 6:19, 20) Os Adventistas do Sétimo Dia também consideram a expiação de Cristo incompleta quando Ellen Gould White afirma:

"Verificou-se também que, ao passo que a oferta pelo pecado apontava para Cristo como um sacrifício, e o sumo sacerdote representava a Cristo como mediador, o bode emissário tipificava Satanás, autor do pecado, sobre quem os pecados dos verdadeiros penitentes serão finalmente colocados. Quando o sumo sacerdote, por virtude do sangue da oferta pela transgressão, removia do santuário os pecados, colocava-os sobre o bode emissário. Quando Cristo, pelo mérito de seu próprio sangue, remover do santuário celestial os pecados de seu povo, ao encerrar-se o seu ministério, Ele os colocará sobre Satanás, que, na execução do juízo, deverá arrostar a pena final." (O Grande Conflito, página 421, 24ª edição, 1980) Assim, enquanto o verdadeiro Jesus disse na cruz “está consumado”, o outro Jesus da IASD ainda não consumou sua obra, mas terá uma ajuda final de Satanás.

Por ter um conceito errôneo sobre o Salvador, a IASD ensina heresias sobre a salvação. Apesar de afirmarem que a salvação ocorre pela graça por meio da fé, seus outros ensinos anulam tal afirmação. Por exemplo, os adventistas afirmam que guardam o sábado porque são salvos, mas sua profetiza Ellen Gould White ensina o contrário: “Santificar o Sábado ao Senhor importa em salvação eterna”. (Testemunhos Seletos, vol. III pág.22, EGW ed.1956). Embora admitam Jesus ser o único caminho para o Pai, apregoam: “Temos uma obra a fazer por ministros de outras igrejas. Deus quer que eles se salvem. Nossos ministros devem buscar se aproximar dos ministros de outras denominações” (Testemunhos Seletos, página 386) e que “Não podemos entrar agora em nenhuma nova organização, pois isso significaria apostasia da verdade” (Mensagens Escolhidas, Vol. 2, página 30; Revista Adventista, Dezembro de 2003, página 11, 3a. coluna). Portanto, a salvação não é em Cristo Jesus apenas, mas o cristão precisa de obras (guardar o sábado) e não apostatar da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Quanto ao Mormonismo, ele define o Jesus salvador deles da seguinte forma: “Quanto ao Diabo e seus espíritos-amigos, eles são irmãos do homem e também de Jesus e dos filhos e filhas de Deus, no mesmo sentido que nós somos.” (John Henry Evans, An American Prophet, Nova York, NY: Macmilan, 1933, página 241) Para quem crê num salvador irmão do Diabo, torna-se fácil ser vítima de outras heresias sobre a salvação. Para os mórmons, ela somente ocorre nas fileiras do movimento: “Os mórmons têm o único cristianismo puro e perfeito agora na terra.” (Bruce McConkie, Doctrinal New Testament Commentary, vol. 2, 1976, página 113) Para a Bíblia, a salvação ocorre individualmente, quando a pessoa aceita a Cristo como seu único e suficiente Salvador. (João 3:16) E ensinam declaradamente a salvação pelas obras: “A salvação individual é “aquela que é merecida pelo homem através dos seus próprios atos na vida, e pela obediência às leis e mandamentos do evangelho.” (Joseph Fielding Smith, Doctrines of Salvation, 1975, 1.134)

Por fim, o Espiritismo Kardecista não crê em Jesus como o Salvador na acepção que a Bíblia lhe atribui. Para essa crença, Jesus salva quando ensina o homem a se livrar de todo o mal através do amor. Mas quanto à morte expiatória de Cristo, descarta-se; pois a “salvação” se dá por méritos próprios, através de muitas reencarnações. Allan Kardec ensinou: “Pelo espiritismo, [...] o homem sabe que a alma progride, sem cessar, através de uma série de existências, até que pode aproximá-la de Deus.” (Allan Kardec, A Gênese, página 26, 14a. Edição Revisada e Corrigida, Editora Ide) Afirmou também quanto à reencarnação: “Qual o objetivo da encarnação dos Espíritos? Deus a impôs a eles com o objetivo de os fazer chegar à perfeição: para alguns é uma expiação, para outros é uma missão.” (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, página 94, Questão 132, 3a. Edição, Editora Boa Nova) Mas segundo a Bíblia, morremos uma única vez. (Hebreus 9:27) O sacrifício expiatório de Cristo foi capaz de purificar os salvos de seus pecados. - 1 João 1:7.

Conclusão

Apesar de tamanhas heresias contra a Pessoa de Cristo e sua tão grande salvação, o Cristianismo continua no caminho certo, com as doutrinas corretas. Todavia, como muitos adeptos dos movimentos acima abordados são oriundos de igrejas cristãs, vale a pena questionar: Será que estes que nos abandonaram, os quais conforme João saíram do nosso meio porque não eram dos nossos (1 João 2:19), realmente conheciam e criam na são doutrina sobre a Pessoa de Cristo e sua tão grande salvação? Até que ponto, em suas práticas religiosas, não se deixaram levar por conceitos que reduziam os méritos sacrificiais de Jesus, como compartilhar seus méritos da salvação com obras do tipo promessas, rituais e campanhas, ou com objetos como sal grosso, toalhinha que cura, água do rio Jordão, ou ainda com meros homens, como se eles pudessem também salvar? Conhecer a sã doutrina e defendê-la é o mínimo que se pode fazer para agradecer tão grande salvação. - Fernando Galli, 10 de junho de 2010.









Fernando Galli é fundador do site IASC - Instituto Apologético Cristo Salva (http://iacs33.blogspot.com/)
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